Campinas se prepara para enfrentar os desafios de um clima cada vez mais extremo. Diante das previsões que apontam para a possibilidade de um fenômeno El Niño de moderada a forte intensidade nos próximos meses, a Prefeitura apresentou um amplo pacote de ações voltadas à proteção da população, da infraestrutura urbana e dos serviços públicos.
O plano reúne iniciativas de diferentes áreas da administração municipal e reforça uma estratégia que já vinha sendo construída nos últimos anos, baseada em prevenção, monitoramento e adaptação às mudanças climáticas.
O objetivo é reduzir os impactos provocados por ondas de calor, estiagens prolongadas, incêndios florestais, tempestades intensas e alagamentos, fenômenos que vêm se tornando mais frequentes em diversas regiões do país.
A experiência acumulada em eventos climáticos severos, como a microexplosão que atingiu Campinas há uma década, serviu de base para o fortalecimento dos protocolos de resposta e para a ampliação dos investimentos em tecnologia, infraestrutura e capacitação de equipes.
O município aposta agora em uma atuação integrada envolvendo Defesa Civil, Saúde, Assistência Social, Meio Ambiente, Serviços Públicos e parceiros estratégicos para aumentar a capacidade de reação diante de situações de emergência.
Além de medidas estruturais, como parques lineares, reservatórios de contenção e novas estações meteorológicas, o pacote contempla ações voltadas ao bem-estar da população, incluindo climatização de escolas, criação de refúgios climáticos, instalação de bebedouros públicos e ampliação da arborização urbana.
Mais do que responder aos efeitos do El Niño, as iniciativas representam um passo importante na construção de uma cidade mais resiliente, preparada para conviver com os desafios impostos pelas mudanças climáticas e capaz de proteger seus moradores diante de um cenário cada vez mais imprevisível.
Alertas
Instalação de 21 estações meteorológicas nos 18 setores de risco da cidade;
Ampliação dos alertas por celulares, SMS e painéis digitais;
Integração das equipes da Defesa Civil, Saúde, Clima, Assistência Social e Serviços Públicos.
Calor
Climatização do Hospital Ouro Verde;
Climatização de 42 escolas municipais;
Troca de telhados em escolas para reduzir a sensação térmica;
Ampliação do plantio de árvores em unidades escolares.
Refúgios
Criação de uma rede de refúgios climáticos em espaços públicos;
Instalação de 40 bebedouros públicos em diferentes regiões da cidade.
Incêndios
Entrada em operação do reservatório da Mata de Santa Genebra;
Protocolo regional de prevenção a incêndios no Pico das Cabras;
Uso de drones térmicos e binóculos infravermelhos para monitoramento.
Áreas verdes
Implantação de 15 novas microflorestas até 2027;
Campinas já conta com 27 microflorestas e mais de 36 mil mudas plantadas.
Enchentes
Construção de três parques lineares na região central;
Obras de macrodrenagem e ampliação dos piscinões;
Limpeza intensificada de córregos, galerias e bocas de lobo.
Tecnologia
Radar meteorológico metropolitano em operação;
Mapa de conectividade para situações de desastre;
Capacitação de moradores e servidores para atuação em emergências;
Simulados de enchentes e treinamentos comunitários.
Investimentos
R$ 23 milhões em parques lineares;
R$ 4,9 milhões para climatização de escolas;
R$ 3,5 milhões para climatização do Hospital Ouro Verde;
R$ 350,7 mil para instalação das estações meteorológicas;
R$ 102 mil para os novos bebedouros públicos.
O AdaptaBrasil é uma plataforma desenvolvida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para medir o grau de vulnerabilidade dos municípios brasileiros às mudanças climáticas e sua capacidade de responder a eventos extremos.
O sistema avalia indicadores relacionados à infraestrutura urbana, capacidade institucional, condições socioeconômicas, governança e preparação para enfrentar desastres como enchentes, enxurradas, inundações e deslizamentos de terra. A partir desses dados, cada município recebe uma pontuação que varia de zero a um.
Segundo levantamento da Folha de S.Paulo na plataforma, 3.668 municípios brasileiros — 66% das cidades do país — apresentam capacidade baixa ou muito baixa para se adaptar a eventos extremos. Outros 3.736 municípios aparecem com indicadores insuficientes para enfrentar deslizamentos.
É importante destacar que o estudo não mede apenas o risco de uma cidade sofrer enchentes ou deslizamentos. Ele avalia a capacidade do município de responder, se recuperar e reduzir os impactos desses eventos.
Sensação
Vento
Umidade




