O prefeito de Valinhos, Franklin Duarte de Lima (PL), sancionou nesta sexta-feira (19) a lei que declara a Fazenda Remonta como patrimônio histórico, cultural, paisagístico e ambiental do município. A decisão oficializa a proteção de uma das áreas mais emblemáticas da cidade às vésperas do leilão de mais de 1,6 milhão de metros quadrados de área verde, previsto para o próximo dia 1º de julho.
Com valor mínimo de R$ 90 milhões, a negociação reacendeu um dos debates mais importantes para o futuro de Valinhos: como conciliar desenvolvimento urbano, preservação ambiental e qualidade de vida em uma região sob crescente pressão imobiliária.
A nova legislação, aprovada por unanimidade pela Câmara após iniciativa do vereador Rodrigo Fagnani Popó reconhece oficialmente a relevância histórica, cultural, paisagística e ambiental da área conhecida como Fazenda Remonta, denominada legalmente Gleba B da antiga Coudelaria de Campinas (Fazenda Serra D’Água).
Com a sanção, a área passa a integrar o Livro Tombo como Patrimônio Material Ambiental do município e recebe proteção permanente. Entre as restrições previstas estão a descaracterização de edificações históricas, a supressão de vegetação nativa, o aterramento de recursos hídricos e o parcelamento do solo em desacordo com parâmetros do Plano Diretor.
A decisão representa mais um capítulo de uma discussão que vem ganhando força. Com mais de 1,6 milhão de metros quadrados, a Remonta é considerada uma das últimas grandes áreas verdes entre Valinhos e Campinas.
Ao longo das décadas, a propriedade permaneceu preservada em meio ao crescimento da região, mantendo importantes fragmentos de Mata Atlântica, áreas de recarga hídrica, fauna silvestre e um patrimônio histórico ligado à antiga criação de cavalos para o Exército Brasileiro.
O debate ganhou intensidade com a aproximação do leilão promovido pela Fundação Habitacional do Exército (FHE), marcado para 1º de julho. A área desperta interesse pela localização estratégica, próxima ao Anel Viário e cercada por uma das regiões mais valorizadas do interior.
Ao mesmo tempo, a possibilidade de ocupação passou a mobilizar moradores, entidades ambientais e representantes da sociedade civil preocupados com os impactos que uma eventual urbanização.
A movimentação em defesa da Remonta, no entanto, não partiu apenas do Legislativo e do Executivo. Após a aprovação do projeto pela Câmara, o Conselho Municipal do Meio Ambiente aprovou uma moção solicitando que a Prefeitura adote medidas para garantir a preservação ambiental da área. O documento foi aprovado em meio às discussões sobre o leilão.
A manifestação do Conselho ampliou um debate que já vinha ganhando espaço entre moradores, ambientalistas, urbanistas e especialistas em planejamento urbano. A Fazenda Remonta reúne características que extrapolam seu valor imobiliário.
Para o prefeito Franklin Duarte de Lima, a sanção da lei representa um compromisso com as futuras gerações. “O verdadeiro desenvolvimento é aquele que gera oportunidades sem sacrificar aquilo que temos de mais valioso. É possível crescer, atrair investimentos e avançar sem abrir mão da preservação ambiental. Ao sancionar esta lei, estamos garantindo que a Fazenda Remonta permaneça protegida para as próximas gerações e escolhendo, mais uma vez, defender o futuro de Valinhos”, declarou.
Embora a lei represente uma vitória para os defensores da preservação, especialistas observam que a discussão está longe de terminar. O desafio, avaliam, não se resume a escolher entre preservar integralmente ou ocupar o espaço. Experiências nacionais e internacionais demonstram que é possível construir soluções que conciliem conservação ambiental, valorização do patrimônio histórico, uso sustentável e desenvolvimento econômico.
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