A história da fonoaudióloga Ana Beatriz Stubinski, de 22 anos, moradora de Valinhos, mobilizou familiares, profissionais da saúde e autoridades nos últimos dias. A jovem sofreu uma grave lesão na medula espinhal após ser atingida por um galho de árvore enquanto passeava com familiares na Praça Osório, em Curitiba (PR), no último sábado (13).
Após uma corrida contra o tempo, ela recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser submetida a um tratamento experimental com polilaminina, substância que vem sendo estudada como uma possível alternativa para recuperação de lesões medulares.
O acidente provocou fraturas nas vértebras torácicas, perfuração pulmonar e uma grave lesão na medula, deixando Ana Beatriz sem os movimentos das pernas. Internada no Hospital do Trabalhador, ela passou por cirurgias de alta complexidade para estabilização da coluna e tratamento das demais lesões.
A liberação para o uso da polilaminina ocorreu após avaliação médica e análise da documentação encaminhada à Anvisa. O Governo do Paraná chegou a disponibilizar uma aeronave para transportar o medicamento e a equipe responsável pela aplicação, diante da necessidade de rapidez no procedimento.
Desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em parceria com o Laboratório Cristália, a polilaminina é uma substância derivada da laminina, proteína encontrada naturalmente no organismo humano e relacionada ao crescimento e regeneração de células nervosas. Os pesquisadores acreditam que ela possa atuar como uma espécie de "andaime biológico", auxiliando na reconexão de fibras nervosas lesionadas.
Apesar da expectativa gerada em torno do tratamento, especialistas ressaltam que a substância ainda é considerada experimental. No início deste ano, a Anvisa autorizou apenas a fase inicial dos estudos clínicos para avaliar a segurança da aplicação em pacientes com lesões medulares agudas. Até o momento, não existe comprovação científica definitiva sobre sua eficácia para recuperação dos movimentos.
A família de Ana Beatriz acompanha o caso com esperança. Em entrevistas concedidas à imprensa paranaense, os pais classificaram a autorização como uma nova oportunidade para a recuperação da jovem, que havia acabado de concluir sua graduação e iniciava sua carreira profissional.
Enquanto segue internada sob cuidados médicos, Ana Beatriz tornou-se mais um símbolo da esperança depositada por pacientes e pesquisadores em um tratamento brasileiro que ainda está em fase de desenvolvimento, mas que já desperta atenção em todo o país. (Com informações do G1 Paraná, RPC, UOL, Governo do Paraná e Laboratório Cristália)
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